Governo Federal integra 16 estados ao planejamento logístico sul-americano

O Governo Federal lançou nesta segunda-feira (28/7) o Relatório 2025 do projeto Rotas de Integração Sul-Americana – que marca uma nova etapa do planejamento estratégico da infraestrutura logística nacional. A publicação, elaborada pelo Ministério do Planejamento e Orçamento, incorpora ao projeto os 16 estados brasileiros que não fazem fronteira com países da América do Sul, com o objetivo de fortalecer a articulação logística e produtiva do interior do Brasil com os principais corredores de comércio continental — em especial, os que conectam o país ao oceano Pacífico.

A proposta amplia o escopo das Rotas de Integração, originalmente focadas nos 11 estados de fronteira, e passa a abranger também unidades da Federação responsáveis por 73% do PIB nacional e por 66% do comércio rodoviário com países sul-americanos. Essa interiorização do projeto reforça o papel estratégico da logística como vetor de competitividade, promovendo o acesso das cadeias produtivas nacionais aos mercados regionais e globais.

“Com essa nova fase, o projeto deixa de ser apenas de fronteira e passa a integrar um terço do território brasileiro à agenda logística internacional, reposicionando o Brasil no mapa da geoeconomia sul-americana”, destacou a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.

Com 3,1 milhões de km² e aproximadamente 151 milhões de habitantes, os estados não fronteiriços movimentaram em 2024 cerca de US$ 24,3 bilhões em exportações e US$ 16 bilhões em importações com países da América do Sul. Os corredores rodoviários são a principal via de escoamento, representando 52% de todas as exportações brasileiras para os vizinhos do continente — sendo que São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo concentram a maior parte dessas trocas.

O secretário de Articulação Institucional, João Villaverde, enfatizou que a conexão entre os oceanos Atlântico e Pacífico é crucial no atual cenário econômico. “As Rotas Bioceânicas têm o potencial de transformar o Brasil em plataforma logística de escoamento continental. Ao mesmo tempo em que aproximam o país do Pacífico, também viabilizam o uso de portos brasileiros para a exportação de bens produzidos nos países vizinhos em direção à Europa e à África”, afirmou.

O relatório 2025 é resultado de um processo de escuta com governos estaduais, órgãos federais, autarquias e representantes do setor logístico e produtivo. O levantamento identificou projetos em andamento e previstos no Novo PAC que se conectam à agenda das Rotas, e propõe a criação de uma Sala de Situação para monitorar com maior precisão o avanço das obras e investimentos.

Cada estado participante contribuiu com propostas alinhadas às suas vocações produtivas e logísticas. No Sudeste, destacam-se iniciativas ligadas à exportação industrial, insumos farmacêuticos e alta tecnologia. O Nordeste propôs ações voltadas ao aproveitamento das cadeias produtivas regionais e à infraestrutura turística. Já as regiões Norte e Centro-Oeste priorizaram a ampliação da malha rodoviária e ferroviária e a integração intermodal.

A nova fase também traz alternativas de financiamento, como os Fundos Constitucionais de Financiamento (FCFs) e ações previstas nos Planos Plurianuais estaduais, além de recursos do BNDES e de parcerias com o setor privado.

“A integração regional e a conexão eficiente entre os modais e os mercados internacionais são condições fundamentais para gerar empregos, promover a inclusão e impulsionar o desenvolvimento sustentável”, concluiu Simone Tebet.

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Fonte: Agência Gov (agenciagov.ebc.com.br)
Fotografia: Washington Costa/MPO