Julio Lopes alerta para risco de o Brasil voltar a importar petróleo até 2045

O presidente da Câmara Temática Aeroportuária da FRENLOGI, deputado Julio Lopes (PP/RJ), participou nesta quarta-feira (26), em Brasília, do Painel 5 – “Combustível nuclear e a modernização da matriz energética brasileira de Angra 3 às PCRs”, durante o último dia do Fórum Nacional Brasil Export Minas e Energia. O evento é uma iniciativa do Grupo Brasil Export e do IPEGEN.

Em sua exposição, o parlamentar enfatizou a necessidade de ampliar a participação da iniciativa privada no setor nuclear brasileiro, em linha com o modelo adotado por grande parte dos países desenvolvidos. “Todos os demais países civilizados contam com atuação intensa da iniciativa privada no setor nuclear, e não será diferente no Brasil”, afirmou.

Julio Lopes destacou avanços em andamento, como o desenvolvimento do primeiro microrreator brasileiro — um projeto de 5 MW conduzido pela empresa Núcleo, em parceria com a Finap e com consultoria do ex-ministro Bento Albuquerque. O equipamento poderá atender regiões remotas, especialmente na Amazônia, onde se gastam cerca de R$ 12 bilhões por ano apenas com o transporte de óleo diesel utilizado na geração elétrica. “É inconcebível que continuemos com um modelo tão ultrapassado e caro”, disse.

O parlamentar reforçou ainda o papel estratégico da energia nuclear para garantir estabilidade ao sistema elétrico. Ele lembrou que fontes renováveis como solar e eólica têm fator de capacidade próximo de 25%, enquanto a nuclear opera em torno de 85% — além de possuir vida útil estimada em até 100 anos.

Durante sua apresentação, Julio Lopes trouxe dados preocupantes sobre a exploração petrolífera no país. Segundo ele, o Brasil perfurou apenas 22 poços em 2025, número muito inferior aos mais de 150 registrados há uma década. Caso esse cenário persista, o país pode voltar a ser importador líquido de petróleo a partir de 2045.

O deputado também ressaltou o potencial das reservas brasileiras de urânio — 306 mil toneladas já mapeadas, que colocam o Brasil entre os seis maiores detentores do recurso no mundo. Com o preço do urânio acima de US$ 200/kg, essas reservas podem ultrapassar US$ 60 bilhões em valor econômico.

Lopes também defendeu a necessidade de eliminar a “subjetividade” nos processos de licenciamento ambiental – é preciso adotar normas técnicas internacionais, como certificações ISO, para acelerar projetos estratégicos e reduzir arbitrariedades. Como exemplo, citou o projeto de mineração de urânio e fosfato de Santa Quitéria (CE), que aguarda licenciamento há mais de 15 anos, apesar de investimentos superiores a R$ 250 milhões. “Precisamos de critérios objetivos, análises técnicas robustas e previsibilidade. Isso é inaceitável”, criticou.

Para o parlamentar, a atual crise de gestão e de atraso tecnológico deve ser encarada como uma oportunidade para modernizar o setor energético e destravar investimentos. “Se queremos um país mais consequente e competitivo, precisamos assumir nossa responsabilidade e colocar o Brasil na rota da energia limpa, da inovação e da segurança energética”, concluiu.

Confira a participação do dep. Julio Lopes no Fórum Nacional Brasil Export Minas e Energia, clique aqui.

Fotografia: Saulo Cruz, do Brasil Export.