Hidrovias em pauta: FRENLOGI e IBL realizam painel no Norte Export em Manaus

A Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura (FRENLOGI) e o Instituto Brasil Logística (IBL) promoveram, nesta quinta-feira (19), em Manaus (AM), o Painel 5 da edição regional do Brasil Export. O encontro foi conduzido pela diretora-executiva do IBL e sócia do De Paula Kraft Advogados, Rebeca Albuquerque.

Com o tema “Hidrovias: A Nova Fronteira Logística”, o painel evidenciou o papel estratégico dos rios como eixos de escoamento e integração nacional. Participaram do debate Thairyne Oliveira, secretária-executiva adjunta do Ministério de Portos e Aeroportos; o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL-AM), membro da FRENLOGI; e Orlando Fanaia, superintendente regional do DNIT no Amazonas.

Na abertura, Rebeca Albuquerque reforçou o papel do IBL no apoio técnico à FRENLOGI e afirmou que as hidrovias são estruturantes para a soberania nacional, a competitividade da Zona Franca de Manaus e a vida das populações ribeirinhas, além de contribuírem para a redução do “custo Brasil”.

A mediadora também chamou atenção para os impactos de eventos climáticos extremos, como estiagens severas, que desafiam o setor, mas também abrem oportunidades. Rebeca destacou a dependência das condições naturais na logística amazônica e questionou o espaço das hidrovias na agenda nacional.

Capitão Alberto Neto afirmou que, na região Norte, “as estradas são os rios” e defendeu prioridade ao tema, com mais investimentos e valorização do potencial hidroviário.

O parlamentar também apontou a precariedade da infraestrutura local e defendeu a desburocratização e um novo marco legal para atrair investimentos. Segundo ele, as limitações logísticas impactam as exportações da Zona Franca de Manaus. Citou ainda o projeto Paita–Manaus como alternativa estratégica para ampliar a competitividade brasileira.

Questionada pelas prioridades do governo federal, Thairyne Oliveira afirmou que as hidrovias vêm ganhando protagonismo, com a criação da Secretaria Nacional de Hidrovias e maior alocação de recursos, ainda que insuficientes. Segundo ela, o objetivo é garantir navegabilidade, manutenção e segurança logística, além de aprimorar a comunicação sobre essas políticas.

Sobre a dragagem e sinalização permanentes, Orlando Fanaia destacou que o DNIT passou a adotar contratos contínuos após a crise de 2023, buscando maior previsibilidade. Apesar dos avanços, reconheceu a necessidade de mais investimentos e articulação institucional. Citou ainda obras como o novo porto de Manaus e melhorias em Itacoatiara e Parintins.

No segundo bloco, ao abordar a revogação do Decreto 12.600/2025, Rebeca Albuquerque levantou o tema da segurança jurídica. Thairyne afirmou que não houve descontinuidade e que os projetos seguem no âmbito do PPI, com cronograma mantido.

Ao discutir o papel do Congresso, a mediadora destacou a importância de conciliar investimentos privados com as demandas das comunidades ribeirinhas. Capitão Alberto Neto reforçou a necessidade de um novo marco legal, mais investimentos e redução da burocracia – além de maior articulação política.

O deputado alertou que a bancada do Amazonas conta com apenas oito parlamentares e defendeu a articulação com outros estados para fortalecer as pautas da região no Congresso.

Na pauta operacional, Fanaia destacou o aumento de recursos, com cerca de R$ 500 milhões investidos no último ano, além de monitoramento contínuo dos rios e parcerias técnicas. Também mencionou obras complementares, como o novo porto de Manaus e melhorias na BR-319.

Ao encerrar, Rebeca Albuquerque afirmou: “Na Amazônia, hidrovias não são um tema acessório. As hidrovias são soberania, são o prato de comida que chega a mesa, o componente que sai da fábrica e o produto que caminha rumo à exportação. O desafio agora é transformar o nosso consenso técnico em coordenação institucional”

Conselheiros do IBL destacam desafios logísticos da Amazônia

Também participaram do Norte Export, realizado ao longo de todo o dia, os conselheiros do IBL: presidente da FENOP, Sérgio Aquino, e o diretor-geral da Super Terminais, Marcello Di Gregorio.

Aquino ressaltou que a Amazônia convive historicamente com extremos climáticos que impactam a logística fluvial e defendeu maior protagonismo da iniciativa privada, com segurança jurídica e regras claras para atrair investimentos.

Di Gregorio destacou a resiliência da Super Terminais, que atua há 30 anos na região Norte enfrentando desafios climáticos e estruturais. Ele citou os impactos da seca de 2023, que elevaram custos logísticos, e afirmou que, mesmo diante dos gargalos — responsáveis por cerca de R$ 1,5 bilhão em custos adicionais entre 2023 e 2024 —, a empresa manteve investimentos para garantir a operação.

O executivo também defendeu concessões hidroviárias como solução para ampliar a navegabilidade e atrair investimentos, sugerindo um projeto piloto de dragagem entre Itacoatiara e Coari.

O Norte Export conta com o patrocínio anfitrião da Super Terminais, empresa filiada ao IBL, que celebra 30 anos de atuação em 2026 e tem papel relevante na operação do Porto de Manaus, simbolizando a força da iniciativa privada na logística da Região Norte.

Fotografias: Marco Tulio Chaves/Divulgação IBL.