Pedro Uczai no Café da FRENLOGI: “Encontro histórico” reuniu governo, agências e setor ferroviário

A FRENLOGI, nesta quarta-feira (29 de abril), promoveu mais uma edição do Café, com o tema “Avanços e Desafios da Infraestrutura Ferroviária no Brasil”. O encontro contou com apoio do Instituto Brasil Logística e reuniu parlamentares, representantes do governo federal, especialistas e lideranças do setor para discutir estratégias de expansão da malha ferroviária nacional e os caminhos para ampliar investimentos e integração logística.

Participaram do encontro o presidente da FRENLOGI, senador Wellington Fagundes – pré-candidato do governo de MT; o presidente da Câmara Temática Ferroviária da Frente e líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai; e a deputada Daniela Reinehr, presidente da Câmara Temática de Portos e Hidrovias. Também estiveram presentes o diretor de Relações Institucionais da Frente, Edinho Bez, e a diretora executiva do Instituto Brasil Logística, Rebeca Albuquerque.

Representando o IBL, participaram o presidente do Conselho Gestor do Instituto, Jesualdo Silva; o diretor-presidente da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários, Davi Barreto; o diretor-presidente da Associação Brasileira de Portos Secos e Recintos Alfandegados, Elielson Almeida; a diretora de Relações Institucionais Bruna Ponte; o CEO do MoveInfra, Ronei Glanzmann; e o diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Associação Nacional dos Transportadores de Cargas, Carley Welter.

Pelo governo federal, estiveram presentes o secretário nacional de Transporte Ferroviário do Ministério dos Transportes, Leonardo Ribeiro; o diretor de Programa da Secretaria Executiva do Ministério dos Transportes, Felipe Carvalho; o superintendente de transporte ferroviário da ANTT, Alessandro Baumgartner; o gerente de projetos ferroviários da Infra S.A., Wagner Ferreira; o analista da Infra S.A., Urubatan S. T. Filho; e o diretor substituto de Infraestrutura Ferroviária do DNIT, Eloi Filho.

Integração institucional e planejamento estratégico

O deputado Pedro Uczai classificou o encontro como histórico ao reunir, sob coordenação da Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário, órgãos estratégicos responsáveis pela política ferroviária.

“Este encontro é histórico porque supera a fragmentação do setor ferroviário e reúne, pela primeira vez, os principais órgãos em torno de uma mesma estratégia”, afirmou.

Uczai também apontou desafios relacionados ao financiamento da infraestrutura no país, criticando o nível das taxas de juros e defendendo a busca de novas fontes de recursos para projetos de longo prazo. Entre as propostas mencionadas está a atração de R$ 20 bilhões a R$ 50 bilhões de fundos soberanos internacionais, além de uma atuação coordenada entre os ministérios dos Transportes e da Fazenda, o BNDES e o Congresso Nacional.

O parlamentar também destacou o papel estratégico do traçado ferroviário para o desenvolvimento nacional e cobrou soluções para cerca de 10 mil quilômetros de ferrovias atualmente desativadas no país.

Carteira de projetos e investimentos

Na apresentação central do encontro, o secretário nacional de Transporte Ferroviário, Leonardo Ribeiro, destacou que os avanços legislativos recentes têm contribuído para fortalecer a segurança jurídica e criar um ambiente mais favorável à retomada dos investimentos no setor.

Segundo ele, o custo logístico brasileiro — estimado em cerca de 15% do Produto Interno Bruto (PIB) — compromete a competitividade da economia nacional, tornando essencial a ampliação da infraestrutura ferroviária.

Ribeiro apresentou a carteira integrada de projetos ferroviários estruturada pelo governo federal, com visão de rede e integração nacional. Entre os empreendimentos prioritários estão:

•             Transnordestina

•             Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO)

•             Ferrovia de Integração Oeste-Leste (FIOL)

•             Anel Ferroviário do Sudeste

•             Ferrogrão

•             Malha Sul

•             Projetos de autorizações ferroviárias privadas

O conjunto de iniciativas reúne cerca de R$ 140 bilhões em investimentos diretos, com potencial de movimentar até R$ 600 bilhões na economia brasileira.

Na área de financiamento, o secretário explicou que a estratégia do governo se apoia em três pilares principais: aportes públicos para implantação da infraestrutura, financiamento de longo prazo — incluindo recursos do Fundo Clima — e mecanismos de garantia, como contas vinculadas.

Multimodalidade e logística integrada

A deputada Daniela Reinehr ressaltou que o desenvolvimento da infraestrutura logística deve estar alinhado aos interesses estratégicos do país, especialmente no que diz respeito à industrialização e à agregação de valor à produção nacional.

“Regiões só se desenvolvem plenamente quando a infraestrutura acompanha o crescimento econômico. Industrializar sem logística adequada trava o desenvolvimento”, afirmou.

Ela também destacou o potencial do Fundo Clima como instrumento de financiamento para projetos ferroviários e defendeu maior rigor na fiscalização das concessões ferroviárias, especialmente na devolução de trechos ao poder público.

Durante o encontro, Ronei Glanzmann destacou que o país possui um pipeline robusto de projetos ferroviários estruturantes, para o transporte de cargas.

Glanzmann alertou para a redução do número de passageiros transportados sobre trilhos no Brasil, tendência que contrasta com o crescimento desse modal em outras regiões do mundo, e reforçou a importância da multimodalidade para o sistema logístico nacional. Ele também defendeu celeridade na aprovação do Projeto de Lei nº 2373/23, que trata do novo marco de concessões e parcerias público-privadas.

Davi Barreto também reforçou a importância da aprovação da proposta. Segundo ele, a medida fortalece a agenda ferroviária ao ampliar a segurança jurídica dos projetos.

“O apoio institucional da FRENLOGI e do Instituto Brasil Logística será fundamental para consolidar as contas vinculadas como instrumento capaz de impulsionar investimentos e garantir maior equilíbrio contratual no setor ferroviário”, afirmou.

Portos secos e comércio exterior

Elielson Almeida destacou que o setor de portos secos e centros logísticos representa uma fronteira importante para o fortalecimento da multimodalidade no Brasil.

Segundo ele, o avanço da infraestrutura ferroviária é fundamental para melhorar a logística do comércio exterior e ampliar a eficiência no escoamento da produção nacional.

Durante o café da manhã, representantes de empresas e entidades também apresentaram aos parlamentares e autoridades do governo demandas do setor, além de apontarem desafios relacionados à execução de obras, à integração logística e às condições de infraestrutura em diferentes regiões do país.

Papel da FRENLOGI e do IBL

O senador Wellington Fagundes destacou que o avanço das ferrovias no Brasil exige articulação institucional permanente e perseverança.

“O papel da Frente Parlamentar e do Instituto Brasil Logística é fornecer inteligência técnica ao Poder Executivo para que as decisões sejam fundamentadas”, afirmou.

Fagundes também mencionou os desafios logísticos no Mato Grosso, citando a entrega iminente de um novo trecho ferroviário e de um terminal de grãos operado pela Rumo, o que exigirá planejamento integrado no escoamento da produção.

O presidente do Conselho Gestor do Instituto Brasil Logística, Jesualdo Silva, destacou que a entidade reúne 21 associados, entre associações setoriais e empresas do setor logístico, responsáveis por apoiar tecnicamente as iniciativas e estudos promovidos pela Frente Parlamentar.

A diretora executiva do Instituto Brasil Logística, Rebeca Albuquerque, reforçou o papel do Instituto na promoção do diálogo entre setor público e iniciativa privada.

“A intenção é continuar colaborando para que esses espaços de diálogo da FRENLOGI estejam realmente de portas abertas para os temas mais relevantes da logística nacional”, afirmou.

Participação do setor

Também participaram do encontro a diretora-presidente da ANPTrilhos, Ana Patrizia; o presidente da Estação Luz Participações, Guilherme Quintela; o diretor-executivo da ADECON, Edeon Vaz; o CEO da Petrocity e presidente da Associação Brasileira de Ferrovias Autorizadas (ABRAFA), José Roberto Barbosa; a consultora da Rumo, Marinez Chiele; representantes da ANETRAMS, entre outros convidados.

Texto: Kathia Marçal, assessora de comunicação.
Arte: Janaína Valadares, social media.
Fotografias: Leandro Lacerda.