A Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura (FRENLOGI) acompanhou audiência pública na Comissão de Infraestrutura do Senado que discutiu as constantes quedas e oscilações no fornecimento de energia elétrica no Paraná, no âmbito da atuação da Copel. O debate teve como foco os prejuízos à economia, à produção agropecuária e industrial, além dos impactos na qualidade de vida da população.
A audiência foi coordenada pelo senador Sergio Moro, integrante da FRENLOGI. Também acompanharam o debate os deputados Sérgio Souza e Tião Medeiros, membros da Frente, além de senadores que fazem parte da Comissão.
A superintendente adjunta de Fiscalização Técnica dos Serviços de Energia Elétrica da ANEEL, Ana Claudia dos Santos, destacou aumento nas reclamações de consumidores e produtores rurais sobre a qualidade do serviço. Segundo ela, eventos climáticos extremos têm impactado a rede, e mecanismos regulatórios como expurgos, embora tecnicamente permitidos, afetam a percepção da população.
A ANEEL informou que pretende intensificar a fiscalização técnica no segundo semestre e avalia o aprimoramento de normas, incluindo compensações financeiras em casos de interrupções prolongadas. A agência também reforçou a importância da participação social em consultas públicas e a adoção de medidores inteligentes para melhorar o monitoramento da rede.
Preocupações com a qualidade do serviço
Durante a audiência, o senador Sergio Moro afirmou que há uma percepção de deterioração dos serviços prestados pela Copel, apesar dos investimentos anunciados pela companhia.
Entre os pontos levantados, o parlamentar destacou o aumento no tempo de resposta para atendimento, que passou de cerca de 4 horas para 6 horas e 45 minutos entre 2024 e 2026, além de casos em que consumidores aguardaram entre 30 e 40 horas para a religação da energia.
Moro também apontou impactos econômicos relevantes, com prejuízos em atividades como a criação de tilápias e frangos, e citou o caso de uma unidade industrial em Ponta Grossa que registrou paralisações devido às quedas de energia.
O senador criticou ainda o reajuste tarifário de 26%, considerando-o desproporcional diante da inflação e da qualidade do serviço prestado. Ele questionou a existência de um plano de indenização aos produtores afetados e solicitou que a Copel apresente, em até 30 dias, um plano de ação para enfrentar o problema.
“O diagnóstico ficou muito claro. Há uma insatisfação em relação à qualidade dos serviços prestados à população paranaense. Destaca-se positivamente a quantidade de investimentos, mas isso não tem se refletido na melhoria do serviço”, afirmou.
Ele também defendeu maior transparência e revisão do modelo regulatório, com inclusão da satisfação do consumidor nos critérios de avaliação para reajustes tarifários.
Setor produtivo e usuários cobram soluções
Participaram do debate o diretor-geral da Copel Distribuição, Marco Antonio de Abreu; o coordenador técnico e de sanidade da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Silvio Krinski; o superintendente da Federação das Indústrias do Paraná (FIEP), João Arthur Mohr; e o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), Ágide Eduardo Meneguette.
Os participantes relataram prejuízos recorrentes em diferentes setores e defenderam medidas para garantir maior estabilidade no fornecimento de energia, considerado essencial para a competitividade econômica e o desenvolvimento regional.
A FRENLOGI segue acompanhando o tema, diante da relevância da infraestrutura energética para a logística e a produção no país.
Confira a audiência na Comissão de Infraestrutura que debateu os problemas de energia no Estado do Paraná, clique aqui.
Texto: Kathia Marçal, assessora de comunicação.
Arte e fotografia: Janaína Valadades, social media.