O fortalecimento da infraestrutura como política de Estado, a ampliação da segurança jurídica para atrair investimentos e a integração entre os diferentes modais de transporte marcaram o encerramento do Centro-Oeste Export 2026, realizado nesta quinta-feira (23), em Rio Verde (GO).
A solenidade de encerramento contou com a participação do vice-presidente do Conselho Gestor do Instituto Brasil Logística (IBL) e diretor-executivo do SOPESP, Ricardo Molitzas; do dep. Ismael Alexandrino, integrante da Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura (FRENLOGI); do conselheiro do IBL e presidente da Federação Nacional das Operações Portuárias (FENOP), Sérgio Aquino; do presidente do Conselho do Nordeste Export, Aluísio Sobreira; e do presidente do Conselho do Centro-Oeste Export, Rodrigo Vilaça, anfitrião do encontro.
Durante o debate, os participantes convergiram na defesa de políticas públicas de longo prazo capazes de reduzir gargalos logísticos e ampliar a competitividade brasileira. O IBL, entidade técnica que subsidia os trabalhos da FRENLOGI, participou das discussões levando estudos e análises sobre infraestrutura logística e transportes.
Infraestrutura como política de desenvolvimento

O dep. Ismael Alexandrino defendeu que a infraestrutura seja tratada como uma política permanente de desenvolvimento econômico, e não apenas como um conjunto de obras. “O desenvolvimento econômico e o desenvolvimento humano passam necessariamente pela infraestrutura”, afirmou, ao relatar experiências observadas durante missão oficial à China, onde, segundo ele, o planejamento logístico antecede o crescimento das cidades e da atividade econômica.
O parlamentar também defendeu a construção de políticas de Estado com horizonte de 30 a 40 anos, preservadas das alternâncias de governo, e ressaltou que a iniciativa privada deve ser estimulada por meio de um ambiente regulatório estável.
O membro da FRENLOGI também destacou que a competitividade brasileira depende da integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias e portos, além da simplificação da legislação para reduzir o chamado Custo Brasil.
Porto de Santos tem capacidade, desafio está nos acessos
O vice-presidente do Conselho Gestor do IBL, Ricardo Molitzas, apresentou perspectivas positivas para a infraestrutura portuária nacional com base no estudo “Santos 10+”, elaborado pelo SOPESP para projetar a evolução do Porto de Santos. Segundo ele, o levantamento demonstra que a capacidade do complexo poderá alcançar cerca de 310 milhões de toneladas até 2035, garantindo espaço para atender ao crescimento da produção nacional. “O problema não é o porto. O grande desafio está em fazer a carga chegar até ele”, destacou.

Molitzas observou que investimentos em soluções logísticas integradas ajudam a reduzir custos e aumentar a eficiência, mas alertou que a burocracia continua sendo um dos maiores entraves para novos empreendimentos.
Ele classificou o ambiente de investimentos no país como uma verdadeira “odisseia do capital”, lembrando que projetos que poderiam ser estruturados em pouco tempo acabam levando entre cinco e quinze anos para sair do papel devido à sobreposição de exigências e à falta de integração entre órgãos públicos.
“O empresário quer investir, mas muitas vezes precisa pedir autorização em diferentes instâncias que sequer conversam entre si. Precisamos pavimentar essa estrada com mais segurança jurídica e previsibilidade”, afirmou.
Molitzas também destacou a força econômica de Goiás e do Centro-Oeste, classificando a região como um dos principais motores da produção brasileira.
“Foi muito impressionante conhecer de perto a pujança desta região. É daqui que sai uma parcela significativa da carga que movimenta o Porto de Santos”, ressaltou, ao homenagear produtores e empresários que superam os desafios logísticos para manter o comércio exterior brasileiro competitivo.
Integração entre portos e regiões produtoras
Presidente da FENOP e conselheiro do IBL, Sérgio Aquino defendeu uma maior integração entre o setor portuário e as regiões produtoras. Segundo ele, os portos precisam estar próximos dos centros de produção para compreender suas demandas e contribuir para uma logística mais eficiente.

“Na logística, todo porto tem que ir onde a carga está”, afirmou.
Aquino destacou que o setor portuário é um elo essencial da cadeia logística do comércio exterior e colocou a FENOP à disposição para atuar como parceira na construção de soluções para hidrovias, ferrovias e rodovias.
“O setor portuário quer ser parceiro e porta-voz das demandas por hidrovias, ferrovias e rodovias. Precisamos ouvir quem produz para construir soluções integradas”, afirmou.
Aquino também destacou o apoio institucional da FRENLOGI às pautas da infraestrutura, reconhecendo a atuação do presidente da Frente, senador Wellington Fagundes, e do diretor da Frente, Edinho Bez, no fortalecimento do diálogo entre o Congresso Nacional e o setor produtivo.
Desenvolvimento logístico nacional
O Centro-Oeste Export integra o calendário de fóruns do Grupo Brasil Export e reúne representantes dos setores público e privado para debater investimentos e soluções para a infraestrutura logística brasileira.
A edição de 2026 contou com o patrocínio de entidades filiadas ao IBL, entre elas a Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), o Instituto Praticagem do Brasil e a Santos Brasil, reforçando o compromisso do Instituto com o fortalecimento da logística nacional.
No encerramento, autoridades e especialistas defenderam o planejamento de longo prazo, a segurança jurídica, a integração entre os modais de transporte e um ambiente favorável aos investimentos como pilares para ampliar a competitividade do Brasil.
Assista ao encerramento do Centro Oeste Export, em Goiás, clique aqui.
Texto: Kathia Marçal, assessora de comunicação.
Fotografias: cortesia do Brasil Export.
Arte: Janaína Valadares, social media.