Dando continuidade às discussões sobre tarifa zero no transporte público, a Câmara Temática de Mobilidade Urbana da FRENLOGI, presidida pelo dep. Rubens Otoni, promoveu uma live dedicada à análise da Tarifa Zero sob a perspectiva da sustentabilidade ambiental e da segurança viária. O debate abordou os efeitos dessa política na organização das cidades e na promoção de um transporte público mais eficiente e acessível.
Rubens Otoni destacou logo no início que a Tarifa Zero foi definida como um dos temas centrais da estratégia de trabalho da Câmara Temática. Segundo ele, a valorização do transporte coletivo é fundamental para enfrentar desafios cada vez mais presentes nas cidades brasileiras, como congestionamentos, poluição e elevados índices de acidentes de trânsito.
“Queremos aprofundar o debate sobre o transporte público coletivo urbano a partir de agendas estratégicas para o futuro das cidades brasileiras. A valorização do transporte coletivo é um elemento central para a construção de cidades mais humanas, eficientes e resilientes”, afirmou Otoni.
A convidada da live foi Ana Patrizia Lira, diretora-presidente da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), que apresentou dados sobre mobilidade urbana e defendeu a Tarifa Zero como instrumento de desenvolvimento econômico e social.
Segundo ela, o Brasil possui cerca de 87% da população vivendo em áreas urbanas, o que torna a mobilidade um dos principais desafios das cidades. Ela ressaltou que a participação do transporte público vem perdendo espaço para o transporte individual, agravando problemas de congestionamento e emissões de gases poluentes.
“É importante que a gente possa falar de tarifa zero como indutor de desenvolvimento das cidades. Na medida em que nós tivermos tarifas mais módicas, teremos mais passageiros. Teremos, então, menos congestionamento, menos acidentes e menos poluição”, destacou.
Ana Patrizia também chamou atenção para os benefícios ambientais dos sistemas sobre trilhos. De acordo com ela, o metrô emite cerca de 4 gramas de CO₂ equivalente por passageiro transportado, enquanto os ônibus emitem 16 gramas e os automóveis ultrapassam 100 gramas.
Ana Patrizia também relacionou a mobilidade urbana à segurança viária e à saúde pública. Segundo ela, a ampliação do uso de sistemas segregados e mais seguros pode contribuir para a redução dos acidentes de trânsito e seus impactos sobre o sistema de saúde.
Ao abordar os desafios para a implementação da Tarifa Zero, Ana Patrizia defendeu a construção de novos modelos de financiamento para o transporte público, incluindo mecanismos inspirados em experiências internacionais. Ela ressaltou, porém, que a gratuidade precisa vir acompanhada de investimentos em qualidade e eficiência do serviço.
“Não adianta a gente falar de tarifa zero se a gente não falar de investimento na qualidade. Se você não tem qualidade, ainda que tenha menor preço, você não vai trazer o passageiro para o sistema”, afirmou.
Ao final, Rubens Otoni reforçou o compromisso da FRENLOGI com a construção de soluções para a mobilidade urbana e destacou a importância do diálogo entre Parlamento, setor produtivo e sociedade. O deputado lembrou que a Frente Parlamentar reúne mais de 320 parlamentares e atua na mediação de propostas voltadas ao desenvolvimento da infraestrutura e ao aprimoramento da legislação brasileira.
“O transporte coletivo representa o direito de ir e vir de cada cidadão e deve estar no centro das discussões sobre o futuro das nossas cidades”, concluiu.
A live também contou com a participação do diretor de Relações Institucionais da FRENLOGI, Edinho Bez; do coordenador executivo da Câmara Temática de Mobilidade Urbana, Frederico Lacerda; e do analista de infraestrutura Higor Guerra, que presta apoio técnico à Frente e contribuiu para os debates sobre os desafios e perspectivas da mobilidade urbana no Brasil.
Confira a live, clique aqui.
Texto: Kathia Marçal, assessora de comunicação.
Arte: Janaína Valadares, social media.