Na última quinta-feira (19), a construção do novo porto da Manaus Moderna foi anunciada pelo governo. Segundo a prefeitura, a nova estrutura deve transformar a realidade de milhares de passageiros e trabalhadores que utilizam diariamente o transporte fluvial, além de modernizar a logística de cargas entre Manaus e o interior do estado.
A construção é fundamental para a integração de Manaus com comunidades ribeirinhas, municípios do interior e outras regiões da Amazônia. Mais econômico e sustentável, esse modal garante o abastecimento da cidade, impulsiona o turismo local e assegura a segurança alimentar de milhares de famílias.
Para aprofundar as informações sobre o projeto do novo porto da Manaus Moderna, a Frenlogi entrevistou Edme Tavares, diretor de Infraestrutura Aquaviária do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Ele detalhou os desafios, as expectativas e os benefícios que a nova estrutura trará para a logística regional e para o transporte fluvial na Amazônia.
Confira a entrevista:

1- Qual o papel do DNIT no projeto do novo porto da Manaus Moderna?
R: O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) é o empreendedor da obra do novo porto da Manaus Moderna, sendo o órgão federal responsável pela sua execução. Cabe ao DNIT planejar, coordenar, fiscalizar e implementar as intervenções necessárias para garantir que o projeto seja realizado com qualidade, segurança e dentro das normas técnicas vigentes.
Além de sua função técnica, o DNIT desempenha um papel social fundamental ao viabilizar uma infraestrutura portuária moderna e eficiente. O novo porto tem como objetivo melhorar a mobilidade urbana e impulsionar o desenvolvimento econômico da região.
2 – Como o DNIT avalia o impacto logístico e econômico da construção do novo porto para a região Norte?
R: O DNIT avalia que a construção do novo porto da Manaus Moderna terá um impacto logístico e econômico significativo para a região Norte. A nova estrutura vai aprimorar e tornar mais eficiente o transporte hidroviário, facilitar o fluxo de mercadorias e o deslocamento de passageiros, reduzir custos logísticos e impulsionar o comércio local e regional. Além disso, a obra deve gerar empregos e fortalecer a integração entre os modais de transporte, contribuindo para o desenvolvimento econômico sustentável da Amazônia.
3 – Já existe um cronograma preliminar das obras ou dos próximos passos do projeto?
R: Sim, existe um cronograma preliminar conforme o edital. Após a contratação do projeto básico e executivo, prevista para este ano, há um prazo de aproximadamente seis meses para conclusão e ajustes finais. As obras estão previstas para ocorrer em seguida, cuja execução está estimada em cerca de 24 meses.
4 – A proposta prevê alguma solução intermodal que integre transporte hidroviário e rodoviário?
R: Sim, a proposta prevê uma solução intermodal, incluindo a adequação do acesso rodoviário ao porto. Além disso, o projeto contempla a possibilidade de que veículos de carga possam chegar diretamente até as instalações portuárias, garantindo maior eficiência na transferência de mercadorias entre os modais hidroviário e rodoviário, facilitando a logística e reduzindo custos operacionais.
5 – Quais os principais desafios técnicos e ambientais identificados pelo DNIT para viabilizar o projeto?
R: Tecnicamente, os principais desafios do projeto estão relacionados à complexa logística da região amazônica, marcada pelo acesso limitado a Manaus, que depende predominantemente de transporte fluvial e aéreo, além das restrições à navegação durante o período de seca. Esses fatores exigem planejamento rigoroso para o transporte de materiais, equipamentos e pessoal. Também são necessárias capacidades operacionais para o gerenciamento de grandes volumes de aço, estocagem de insumos e construção em ambiente controlado. A complexidade dos serviços e a necessidade de minimizar interferências no Centro Histórico e comercial de Manaus demandam o uso de tecnologias especiais na execução das obras. Como estratégia para garantir a qualidade e evitar atrasos provocados por condições climáticas, está prevista a construção de pontes, flutuantes intermediários e cais flutuante em galpões cobertos com acesso ao rio.
No aspecto ambiental, a localização do empreendimento em área sensível do bioma amazônico exige medidas eficazes para minimizar impactos sobre os ecossistemas e conservar os recursos naturais. É fundamental assegurar a qualidade de vida da população do entorno por meio do controle da poluição, do manejo adequado de resíduos sólidos e efluentes — com a implantação de uma Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) — e da garantia de segurança nas operações. Também são prioritárias a eficiência no uso de recursos como água e energia, e a redução da geração de resíduos ao longo de toda a fase de implantação e operação do porto. O anteprojeto já contempla soluções mitigadoras, como o manejo dos materiais provenientes da dragagem, a implementação de programas de controle e monitoramento ambiental e a elaboração de um Plano de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC). O projeto “Manaus Moderna” já conta com autorização do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) para a realização dos estudos de viabilidade necessários.
6 – A obra contará com recursos federais diretos ou há parcerias com o setor privado previstas?
R: 100% de Recursos federais
7 – Como o projeto do novo porto pode contribuir para a soberania e integração nacional da Amazônia Legal?
R: O novo porto da Manaus Moderna ajuda a ampliar a atuação do Estado na Amazônia Legal, melhorando a infraestrutura de transporte na região. Além disso, oferece um espaço com melhores condições de operação, o que traz mais dignidade para trabalhadores e usuários do porto. Com um porto moderno, o fluxo de mercadorias e o acesso a produtos ficam mais fáceis, conectando comunidades e impulsionando a economia local. Isso também contribui para integrar melhor a região com o resto do país, garantindo mais segurança e desenvolvimento sustentável para a Amazônia.
Fotografias: Ipaam e DNIT, divulgação.