A Comissão de Infraestrutura do Senado Federal se reuniu na terça-feira (17) para deliberar proposições legislativas. Durante a reunião, o presidente da Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura (FRENLOGI), senador Wellington Fagundes (PL-MT), pré-candidato ao Governo de MT, apresentou requerimento extrapauta para a realização de audiência pública para discutir o avanço do setor ferroviário em Mato Grosso.
O requerimento, de nº 8/2026, propõe ampliar o debate sobre a Ferrovia Ferronorte – considerada um dos principais corredores logísticos do país, além de destacar novos projetos estruturantes no estado.
Durante a reunião, o presidente também convidou os membros da comissão para uma visita técnica às obras da ferrovia em Mato Grosso, com destaque para o terminal ferroviário de Rondonópolis — o maior da América Latina.
Segundo o Fagundes, a iniciativa busca dar visibilidade ao projeto e reforçar sua importância estratégica para a integração logística do país. “Queremos discutir o avanço dessa ferrovia e promover o conhecimento de todo o Brasil sobre esse projeto, que é o primeiro aprovado no modelo de autorização ferroviária”, afirmou.
Integração logística e novos corredores
O projeto em discussão prevê a expansão da malha ferroviária a partir de Rondonópolis em direção ao norte de Mato Grosso, com conexão futura aos municípios de Lucas do Rio Verde e Sinop. A proposta também contempla a integração com a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste (FICO), que se conecta à Ferrovia Norte-Sul, ampliando o acesso aos portos do Arco Norte.
Outro destaque é o modelo de financiamento adotado, considerado inovador. Parte das obras está sendo viabilizada por meio de investimento cruzado, com recursos oriundos da renovação antecipada de concessões ferroviárias, como as das ferrovias Carajás e Vitória a Minas.
O senador relembrou ainda o lançamento das obras em Mara Rosa (GO), durante o antecessor deste atual governo, destacando o avanço do projeto como um marco para o setor ferroviário nacional.
Audiência pública
Para aprofundar o debate, o requerimento propõe a realização de audiência pública com a participação de representantes do setor público e privado, incluindo:
- Guilherme Sampaio, diretor-geral da ANTT;
- Davi Barreto, presidente da ANTF e conselheiro do Instituto Brasil Logística (IBL);
- Leonardo Ribeiro, secretário nacional de Transporte Ferroviário;
- Pedro Palma, presidente da Rumo Logística;
- Maurício Buffon, presidente da Aprosoja Brasil;
- João Martins, presidente da CNA;
Também foram incluídos representantes da Aprosoja Mato Grosso e do Tribunal de Contas da União (TCU).
Desafios da infraestrutura
O presidente da Comissão de Infraestrutura, Marcos Rogério (PL-RO), destacou a relevância do tema e parabenizou o senador Wellington Fagundes pela iniciativa.
Segundo ele, estados como Mato Grosso, Rondônia e Paraná possuem forte vocação agropecuária, mas ainda enfrentam desafios significativos na área de infraestrutura logística. Marcos Rogério ressaltou que o Brasil precisa avançar na construção de um modelo eficiente de integração multimodal, com melhor articulação entre rodovias, ferrovias e hidrovias.
Atualmente, gargalos no escoamento da produção e na capacidade de armazenamento impactam diretamente os custos logísticos e a competitividade do país. “Apesar do enorme potencial produtivo, o Brasil ainda precisa avançar na construção de uma infraestrutura integrada e eficiente”, destacou.
Histórico da Ferronorte
A Ferrovia Vicente Vuolo, conhecida como Ferronorte, completa cinco décadas, consolidando-se como um dos principais eixos logísticos do agronegócio brasileiro. Idealizada na década de 1970 e incorporada ao Plano Nacional de Viação, a ferrovia foi fundamental para integrar o Centro-Oeste aos principais portos do país.
Ao longo dos anos, o projeto contribuiu para a redução estrutural dos custos logísticos, ampliando a competitividade da produção agrícola, especialmente em Mato Grosso — hoje o maior produtor de grãos do Brasil.
A conexão entre o terminal de Rondonópolis e o Porto de Santos se tornou um dos principais corredores de exportação do país, permitindo o escoamento eficiente de grandes volumes de commodities.
Além disso, a ferrovia impulsionou o desenvolvimento regional, atraindo investimentos, fortalecendo cadeias produtivas e promovendo a interiorização do crescimento econômico.