Na próxima sexta-feira (5), dois importantes leilões de infraestrutura rodoviária serão realizados na sede da B3, em São Paulo, com expectativa de movimentar R$ 12,6 bilhões em investimentos. Os projetos envolvem o túnel submerso Santos–Guarujá, estimado em R$ 6,8 bilhões, e a concessão do lote rodoviário Paranapanema, avaliada em R$ 5,8 bilhões.
O túnel, com 1,5 km de extensão, será o primeiro submerso do Brasil e ligará as cidades de Santos e Guarujá. Apenas duas empresas confirmaram participação: a espanhola Acciona e a portuguesa Mota-Engil. O projeto prevê 870 metros de túnel submerso com três faixas por sentido, ciclovia, passagem para pedestres e possibilidade de adaptação futura para o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). Dos R$ 6,8 bilhões, R$ 5,14 bilhões virão de aportes públicos e R$ 1,78 bilhão será destinado a despesas operacionais.
Por sua complexidade e interferência direta no maior porto do país, o projeto exigirá uma técnica de engenharia inédita no Brasil. Grandes construtoras nacionais, como OEC (Odebrecht Engenharia e Construção) e Álya (antiga Queiroz Galvão), desistiram da disputa. Segundo Vinicius Daher, sócio-diretor da A&M Infra, essas empresas devem buscar alternativas para se manter competitivas, embora o mercado espere uma postura mais conservadora.
Como uma das principais obras do Novo PAC, o governo de São Paulo e a União decidiram compartilhar riscos e aportar recursos. A empresa vencedora será responsável pela construção, operação e manutenção da travessia, que atualmente é feita por balsas e catraias, utilizadas por mais de 28 mil pessoas diariamente. A expectativa é reduzir significativamente o tempo de deslocamento e melhorar a mobilidade urbana.
Já o lote rodoviário Paranapanema abrange 285 km de estradas no interior paulista, com destaque para a Raposo Tavares, entre Itapetininga e Ourinhos. Três grupos apresentaram propostas: o Consórcio Viaja Mais (formado por Zeta, fundo Galápagos, M4 Investimentos, Engenharia de Materiais LTDA e Traçado Construções), a Infra BR V Missouri Holding III S.A. e a CS Infra.
O projeto deve impulsionar a logística regional, especialmente para o agronegócio do Centro-Oeste, e aliviar o tráfego da Castello Branco, hoje sobrecarregada. A duplicação da Raposo Tavares, considerada uma das rodovias mais perigosas do estado, é um dos principais objetivos.
A concessão será estruturada como Parceria Público-Privada (PPP), com prazo de 30 anos e contraprestações anuais de até R$ 310 milhões por parte do Estado. Vence quem oferecer o maior desconto sobre esse valor. Para garantir o cumprimento das propostas, há cláusulas de segurança: descontos acima de 6% exigem depósito de R$ 10 milhões por ponto percentual adicional; entre 11% e 20%, o valor sobe para R$ 40 milhões por ponto.
Apesar da expectativa de participação de grupos como EPR e Pátria, ambos ficaram fora da disputa. Os dois certames reforçam a estratégia do governo paulista de destravar grandes projetos por meio de concessões e PPPs, atraindo investidores nacionais e internacionais.
Fonte: com informações do Valor Econômico.
Fotografia: Rodovia Raposo Tavares, a principal do lote Paranapanema. (Foto: Divulgação/Governo do estado de São Paulo.)