Estados apostam em infraestrutura intermodal para ampliar eficiência logística

Com foco na eficiência logística e no fortalecimento da competitividade nacional, os governos de Minas Gerais e Mato Grosso do Sul anunciaram planos robustos de investimentos em infraestrutura intermodal. Juntos, os estados projetam aplicar mais de R$ 530 bilhões em obras e projetos que integram diferentes modais de transporte, como rodovias, ferrovias, hidrovias, dutos e aeroportos.

A intermodalidade é considerada essencial para reduzir custos logísticos, otimizar prazos de entrega e garantir maior fluidez no escoamento da produção, sobretudo do agronegócio e da indústria. A escolha do modal mais adequado para cada trecho da viagem representa ganhos de eficiência, sustentabilidade e competitividade no mercado global.

Corredor Bioceânico e Malha Oeste

No Centro-Oeste, o Governo de Mato Grosso do Sul projeta investir cerca de R$ 20 bilhões em infraestrutura nos próximos dez anos, com destaque para o Corredor Bioceânico — rota estratégica que ligará Campo Grande aos portos do norte do Chile, atravessando Paraguai e Argentina. A nova ligação poderá reduzir em até 14 dias o tempo de transporte de cargas com destino ao mercado asiático, favorecendo especialmente as exportações de carnes.

A consolidação do corredor depende da conclusão de três eixos principais: a ponte sobre o Rio Paraguai, a pavimentação de trechos no território paraguaio e a construção de 13 km de acesso viário tecnicamente desafiadores. A conclusão da ponte internacional está prevista para 2026. As obras no Paraguai, conduzidas com agilidade, também foram destacadas pelo governador Eduardo Riedel (PSDB) quando anunciou o investimento no setor.

Além do corredor rodoviário, o governo estadual aposta na reativação da Malha Oeste, ferrovia que conecta o estado à Malha Paulista e aos portos do Sudeste, e no fortalecimento da hidrovia em Corumbá. As ações integram uma política de diversificação da matriz logística, com menor dependência do modal rodoviário e maior eficiência no escoamento da produção agroindustrial.

Minas Gerais

Já em Minas Gerais, o Governo estadual anunciou um plano de investimentos estimado em R$ 513 bilhões, baseado no Plano Estadual de Logística e Transportes (PELT-MG). O documento mapeia gargalos logísticos e orienta 480 ações estratégicas — totalizando cerca de 4.582 obras — que incluem concessões rodoviárias, intervenções ferroviárias, projetos dutoviários, aeroportuários e hidroviários.

Entre os destaques estão a implantação do Rodoanel Metropolitano de Belo Horizonte, concessões na Zona da Mata e no Noroeste mineiro, além da expansão de ferrovias em regiões como o Triângulo Mineiro e o Norte do estado. Também estão em estudo a criação de um ferroanel na capital e a reativação de linhas de passageiros.

A metodologia adotada pelo governo mineiro foi o Five Case Model, ferramenta do Tesouro Britânico usada para qualificar e priorizar investimentos públicos. Essa é a primeira vez que a metodologia é aplicada no Brasil para planejamento de portfólio de infraestrutura, com foco em transparência e alinhamento com padrões internacionais.

Intermodalidade como vetor de desenvolvimento

Para os dois estados, a aposta na integração entre modais representa mais do que ganhos operacionais: é uma estratégia de desenvolvimento regional. Em Mato Grosso do Sul, o governo defende a sinergia entre logística e agroindustrialização como caminho para geração de empregos, aumento da renda e combate à pobreza. Já em Minas, a estruturação de corredores logísticos busca ampliar a mobilidade de cargas e passageiros, fomentar a economia e atrair investimentos.

A convergência entre os projetos revela um movimento nacional de modernização da infraestrutura com base na lógica intermodal — prioridade que pode reposicionar o Brasil nos fluxos globais de comércio e logística.


Fonte: com informações de Tecnologística.

Fotografia: A ponte internacional que conecta Carmelo Peralta (Paraguai) a Porto Murtinho (Brasil) continua avançando como parte fundamental do Rota Bioceânica de Capricórnio, com 76% de conclusão geral até maio de 2025. Foto de Mopc-PY, no portal do Governo de MS, divulgação.