O transporte rodoviário de cargas, responsável por cerca de 75% da movimentação da produção nacional, foi tema do programa Câmara Debate, da TV Câmara. Participaram da discussão o presidente da Câmara Temática Rodoviária da Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura (FRENLOGI), deputado Diego Andrade (PSD-MG), e o deputado Zé Trovão (PL-SC), também integrante da FRENLOGI.
Apesar de avanços em investimentos — que somaram cerca de R$ 6 bilhões em 2024, um crescimento de 26% em relação ao ano anterior — os parlamentares destacaram que o setor ainda enfrenta gargalos significativos, como a precariedade das estradas, insegurança, defasagem no valor do frete e falta de pontos adequados de parada e descanso.
“Nós sabemos que sem caminhão, o Brasil para. O modal rodoviário é essencial para escoar a produção nacional, mas ainda convivemos com estradas em más condições, roubos de carga e falta de estrutura básica para os motoristas”, afirmou Diego Andrade. Ele destacou ainda a importância de propostas legislativas como o PL 8025/17, que busca punir receptadores de cargas roubadas, e a necessidade de pontos de apoio adequados nas rodovias.
Com trajetória como caminhoneiro por sete anos antes de assumir mandato parlamentar, Zé Trovão trouxe a visão de quem já viveu os desafios da estrada. Ele propôs a criação de um fórum permanente do transporte rodoviário de cargas (Fórum TRC) e criticou a falta de segurança jurídica e de fiscalização eficiente. “Hoje, o transportador não tem clareza sobre seus direitos, não tem segurança nas estradas e, muitas vezes, não recebe pelo que transporta”, afirmou.
Um dos pontos discutidos durante o debate foi a regulamentação da Lei Complementar nº 213/2025, que trata da atuação de associações de caminhoneiros na oferta de seguros. Diego Andrade defendeu o autoseguro como forma de dar mais segurança aos transportadores. “Apresentei esse projeto ainda no meu primeiro mandato. Agora, com a nova lei, falta apenas a regulamentação para que as associações possam proteger os seus associados. É uma medida necessária diante das dificuldades que os caminhoneiros enfrentam para contratar seguros no mercado tradicional”, explicou.
Zé Trovão, por sua vez, alertou para os impactos da regulamentação atual, que prevê a obrigatoriedade de empresas gestoras nas associações, o que pode encarecer os seguros em até 60%. “Essa medida inviabiliza o seguro acessível para o caminhoneiro autônomo, que muitas vezes mal consegue comprar um pneu novo para o caminhão”, pontuou.
Outro tema em pauta foi o avanço das tecnologias aplicadas ao transporte, como caminhões mais modernos e seguros. Os deputados comentaram ainda sobre a crise nas agências reguladoras, especialmente a ANP, que chegou a anunciar a suspensão de fiscalização de combustíveis por falta de recursos.
“Precisamos fortalecer as agências para garantir a qualidade dos combustíveis. O Brasil tem vocação para o agronegócio e, por isso, precisa valorizar o etanol e o biodiesel — mas com segurança”, alertou Andrade.
Sobre a transição para energias renováveis, Zé Trovão destacou a importância de cautela. “Caminhões transportam toneladas. Não podemos colocar em risco a vida das pessoas por conta de uma tecnologia que ainda precisa evoluir. Sou favorável aos elétricos, mas com responsabilidade”, concluiu.
Confira o Câmara Debate com o deputado Diego Andrade (PSD-MG) e o deputado Zé Trovão (PL-SC) para discutir os desafios do transporte de cargas no Brasil, clique aqui.