Em entrevista ao programa Direto ao Ponto, do Canal Rural, o senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), integrante da Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura (FRENLOGI) e presidente da Frente Parlamentar Mista das Ferrovias Autorizadas, fez duras críticas à burocracia que, segundo o parlamentar, freia o desenvolvimento ferroviário no país.
“O mundo avança em ferrovias, e o Brasil continua amarrado”, lamentou o parlamentar, ao destacar que licenças ambientais podem levar até uma década para serem aprovadas. Para Marinho, a lentidão compromete a competitividade nacional e impede o progresso logístico.
O senador classificou como “pecado imperdoável” a opção histórica do Brasil pelo modelo rodoviário em detrimento das ferrovias. “Estamos tendo que recomeçar algo que foi abandonado e está muito ruim”, afirmou.
Ele destacou a importância da chamada “Lei das Ferrovias”, que criou dois modelos de operação: concessão, em que o Estado investe e regula via ANTT, e autorização, voltada ao setor privado. Apesar dos avanços, Marinho aponta resistência à inovação: “Infelizmente, o Brasil ainda tem uma mentalidade antiga, com rejeição ao novo”.
Um dos principais obstáculos, segundo o senador, é o processo de licenciamento ambiental. Ele citou casos em que projetos ferroviários enfrentam dificuldades mesmo com impactos mínimos. “O Ibama tem pouca estrutura, a burocracia é enorme. Dá para esperar 8, 9, 10 anos por uma licença?”, questionou.
Marinho mencionou o exemplo da Ferrogrão, destacando um relatório do ministro do STF, Alexandre de Moraes, que aponta redução de até 77% na emissão de CO₂ em relação ao transporte rodoviário. “Como uma ONG ambientalista pode ser contra uma ferrovia que reduz tanto a emissão? Deveria ser a primeira a apoiar”, provocou.
Impacto econômico e visão de futuro
Além dos ganhos ambientais, o senador ressaltou os benefícios econômicos das ferrovias, como geração de empregos e redução de custos no transporte de commodities. “Transportar por trilhos é o céu de brigadeiro: gasta-se menos da metade e se ganha competitividade no mercado externo”, disse.
Defensor do modelo de autorização, Marinho criticou a morosidade estatal. “Se o Estado fosse eficiente, eu ficava calado. Mas onde ele entra com poder de decisão, vemos a lentidão e a ineficiência”, disparou.
Ao comparar o Brasil com o cenário internacional, o senador fez um alerta: “Enquanto discutimos a Ferrogrão há mais de uma década, o mundo construiu 34 mil quilômetros de ferrovias. Ou mudamos essa mentalidade, ou não vamos desenvolver o país”.
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