O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, afirmou nesta quarta-feira (30) que o Brasil está priorizando, de forma inédita, o uso das hidrovias como modal estratégico para o desenvolvimento logístico nacional. A declaração foi feita durante o evento ‘Logística no Brasil’, promovido pelo jornal Valor Econômico, com apoio da Infra S.A e do Ministério dos Transportes.
“Pela primeira vez na história do país, estamos tratando a questão hidroviária como prioridade”, enfatizou. Segundo o ministro, o Brasil possui mais de 20 mil quilômetros de hidrovias navegáveis e pode alcançar até 60 mil quilômetros, o que representa uma vantagem competitiva em relação a outros países. “Diferente dos Estados Unidos e de outras regiões que não têm esse potencial hidroviário, eu acredito muito na importância dessa agenda para o Brasil, que ainda conta com 8 mil quilômetros de costa marítima”, destacou.
Entre os projetos anunciados, Costa Filho revelou que ainda este ano será realizada a primeira concessão hidroviária do país, no trecho dos rios Paraguai e Paraná, com foco no escoamento de celulose e minérios. O ministro também defendeu a integração logística com o Porto de Chancay, no Peru — terminal localizado a 80 quilômetros de Lima —, como estratégia para ampliar a competitividade do Brasil no comércio com a Ásia.
Ele ainda citou o avanço de obras nas hidrovias do Madeira e do Tocantins, destacando que essas iniciativas podem reduzir em até 40% os custos logísticos. “Cada 25 barcaças equivalem a 500 caminhões a menos nas estradas”, afirmou, ao defender os ganhos em eficiência e sustentabilidade do transporte hidroviário.
Para Costa Filho, o fortalecimento da interligação entre hidrovias e ferrovias é fundamental e está alinhado ao novo plano logístico nacional. “É isso que vai garantir mais competitividade à produção brasileira nos próximos 25 anos”, concluiu.
O evento contou com a participação dos ministros dos Transportes, Renan Filho; e de Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, e discutiram oportunidades de negócios e investimentos em infraestrutura.
O segundo painel abordou gargalos logísticos e prioridades para a infraestrutura até 2050. Participaram Vander Costa, presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT); José Rebelo III, diretor-presidente da Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior (Abani); Venilton Tadini, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib); Jorge Bastos, diretor-presidente da Infra S.A.; e Anderson Pomini, presidente da Autoridade Portuária de Santos.
Fonte: com informações do Valor Econômico.
Fotografia: Gabriel Reis/ Valor.