DNIT/ MG detalha avanço da duplicação da BR-381 em entrevista à FRENLOGI

Considerada um dos principais corredores estratégicos de transporte e logística do Brasil, a BR-381, em Minas Gerais, desempenha papel fundamental na ligação entre polos industriais, áreas produtoras e os principais portos do Sudeste. Essencial para o escoamento da produção, a redução de custos logísticos e o fortalecimento da competitividade da economia nacional, a rodovia ainda enfrenta gargalos históricos de infraestrutura e elevados índices de acidentes.

Diante do anúncio do Ministério dos Transportes de que a duplicação da BR-381 deve ter início em março, a Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura (FRENLOGI) acompanha de perto o andamento do projeto e entrevista o Superintendente do DNIT/MG, Antonio Gabriel Oliveira dos Santos, sobre o tema.

No contexto nacional, a FRENLOGI também destaca a importância de investimentos estruturantes em rodovias estratégicas, como a duplicação de 250 quilômetros da BR-163, entre Sinop e Guarantã do Norte, no Mato Grosso — principal eixo de transporte e logística do Estado.

Sobre o tema, o presidente da FRENLOGI, senador Wellington Fagundes (PL-MT), ressalta que a duplicação da BR-163 é resultado de um trabalho contínuo de articulação institucional para garantir mais segurança viária, fluidez no tráfego e competitividade ao escoamento da produção mato-grossense.

Confira a entrevista da FRENLOGI com o superintendente do DNIT/MG, Antonio Gabriel dos Santos:

1.    Qual é a relevância da BR-381 para o escoamento da produção e a competitividade logística do Brasil, especialmente em Minas Gerais?

As rodovias federais do estado de Minas Gerais são como o aeroporto de Guarulhos em São Paulo. Das rodovias federais, tudo sai, passa ou vem para o Estado. Então, Minas é um polo central hoje, é um hub rodoviário. Essa duplicação da entrada de Belo Horizonte, na BR-381, pode dar um novo impacto na economia nacional, em especial na economia de logística, que acaba refletindo em toda a cadeia – desde a pessoa que mantém um pequeno comércio no centro da cidade, vendendo um produto que chega pela rodovia ou que segue por ela para ser comercializado em outra cidade do estado, em outros estados e até mesmo em outros países. Então, nós acreditamos que a duplicação vai gerar uma série de resultados positivos para a economia e para a segurança das pessoas.

2.    Com o anúncio do início da duplicação do trecho entre Ravena e Caeté, previsto para março de 2026, e a retomada das atividades no Leste mineiro pela concessionária Nova 381, qual é o cronograma integrado das obras no estado?

Sobre o cronograma da obra, a nossa expectativa é conseguir dar uma primeira ordem de serviço para início de obras em março. É bom explicar que essa ordem de serviço não será para a obra toda, porque ainda estamos na fase de análise e aprovação de projeto.

Essa obra é complexa porque envolve não apenas uma obra de duplicação. É a duplicação de uma rodovia em funcionamento, que possui um tráfego enorme diariamente. Então, nós temos que tomar o cuidado de tentar fazer a obra sem causar um transtorno maior do que já é no dia a dia. É um dos maiores tráfegos em rodovias federais do Brasil, na entrada de Belo Horizonte, que interliga várias cidades. Então, seremos cuidadosos, primeiro, pela questão de segurança viária e, segundo, para gerar o menor tumulto possível.  

Sabemos das obras que a concessionária vem fazendo e que, neste primeiro momento, são apenas obras de manutenção. Dessa forma, tentaremos, na medida do possível, fazer a correlação entre uma coisa e outra. No entanto, essas obras não dependem de qualquer movimento da concessionária. Nós vamos conversar com eles para garantir a segurança viária e a trafegabilidade.

3.    O trecho entre Belo Horizonte e Ravena ainda enfrenta pendências de desapropriação que envolvem cerca de 800 famílias. Como o DNIT está conduzindo esse processo e qual a expectativa para o início das obras nesse segmento?

Sobre as ocupações entre Belo Horizonte e Ravena, é bom dizer que o nome correto é “desocupações” de faixa de domínio, não “desapropriações”. Desapropriação é quando precisamos ocupar uma área particular que não é nossa para poder fazer uma obra que sai fora da faixa de domínio. O grande desafio é a existência de ocupações irregulares ao longo da faixa de domínio que nós precisamos remover para fazermos a obra. 

Houve um entendimento mútuo há alguns anos entre o DNIT e outros órgãos, em especial a Justiça Federal, de que essas ocupações deveriam ser retiradas de forma a propiciar novas moradias para as pessoas que estão ocupando a faixa de domínio e que, no geral, são pessoas físicas de baixa renda. Então, é isso o que está sendo feito. O processo está sendo conduzido pela Justiça Federal e o DNIT está acompanhando. No último ano, as prefeituras de Belo Horizonte, Sabará e Santa Luzia foram envolvidas nesse processo para que elas pudessem ajudar, uma vez que a Justiça solicita ao DNIT o fornecimento de casas para essas pessoas, mas nós sabemos que uma casa precisa de um terreno, de uma infraestrutura, sendo necessária a atuação de diversos agentes públicos. 

Então, nós acreditamos que já há um bom entendimento entre DNIT, Justiça e prefeituras. Nós vamos acatar a decisão judicial e tudo está sendo feito de modo que nós consigamos, neste ano de 2026, acelerar as desocupações e fazer com que essas pessoas tenham uma moradia digna e justa de acordo com as conversas com a Justiça e as prefeituras. As prefeituras são fundamentais e a maior delas, que é a de Belo Horizonte, vem colaborando fundamentalmente em todo esse processo para chegarmos a uma situação ótima e ter essas áreas desocupadas para fazer a obra. 

Lembrando que essas desocupações já estão sendo feitas. Várias famílias já foram retiradas do local e já estão em moradias construídas ou compradas pelo DNIT.

4.    Considerando o histórico de acidentes e congestionamentos na BR-381, quais melhorias concretas em segurança viária e eficiência logística a duplicação deve proporcionar aos usuários e ao transporte de cargas?

Sobre melhorias concretas em segurança viária e eficiência logística que a duplicação irá proporcionar aos usuários e ao transporte de cargas, informamos que serão diversas. A principal delas é a segurança viária. Hoje, nós ainda temos muitos acidentes na rodovia, colisões frontais, capotamentos, porque, além de ser pista simples na maior parte do segmento, a rodovia ainda possui muitas curvas, muitos aclives e declives. A duplicação ainda vai melhorar a apresentação da geometria, colocar linhas mais retas nesse segmento, o que eu acredito ser fundamental para a diminuição de acidentes. 

Além disso, a fluidez do tráfego. As pessoas vão conseguir ir e vir com maior velocidade, maior conforto e, principalmente, maior segurança. E isso faz a diferença para o tráfego de carga.  Consequentemente, a tendência é ter fretes mais baratos, o que gera toda uma corrente para a economia, não só de Minas Gerais, mas de todo o Brasil.