Pesquisadores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) criaram um sensor inovador e acessível para monitorar as condições operacionais de trens de carga, passageiros e sistemas metroferroviários.
O dispositivo, que pode ser embarcado diretamente em vagões ou locomotivas, mede acelerações e estima forças atuantes durante o deslocamento, fornecendo dados estratégicos para aumentar a segurança e eficiência das composições ferroviárias.
A tecnologia utiliza sensores micromecânicos, semelhantes aos usados em smartphones e automóveis, para registrar acelerações lineares e angulares. Esses dados são processados por um algoritmo de dinâmica inversa, que calcula as forças envolvidas no movimento do trem. Com isso, é possível identificar riscos operacionais, como a instabilidade provocada por desequilíbrio entre cargas laterais e verticais nas rodas — um dos fatores críticos para a ocorrência de descarrilamentos.
Segundo o professor Roberto Spinola, coordenador do Laboratório de Dinâmica e Simulação Veicular (LDSV) da Poli, o novo sistema não realiza medições diretas como o tradicional rodeiro instrumentado — que exige sensores instalados nas rodas —, mas oferece estimativas precisas com custo muito menor. “É uma solução de fácil aplicação, com excelente relação custo-benefício e capaz de entregar informações relevantes para a operação”, afirma.
Autônomo e alimentado por bateria, o sensor pode operar por vários dias sem interrupção, tornando-se ideal para monitoramentos em larga escala. A proposta é complementar os sistemas embarcados já existentes, como o ABS ferroviário, especialmente em composições que ainda não contam com soluções de diagnóstico em tempo real.
Além de melhorar a segurança veicular, o sistema também auxilia na análise do desempenho dos trens em longas distâncias, permitindo identificar falhas na infraestrutura da via permanente e orientar intervenções de manutenção com mais precisão. “É uma ferramenta que acompanha a composição, captando dados da operação e das condições da malha ferroviária em tempo real”, resume Spinola.
O dispositivo já foi testado com sucesso em operações da CPTM e da Vale, e há negociações em curso com outras operadoras interessadas na tecnologia. Patenteado e pronto para aplicação comercial, o sensor desenvolvido na USP promete ampliar o acesso ao monitoramento inteligente no setor ferroviário, reduzindo custos operacionais e contribuindo para redes mais seguras e eficientes.
Fonte: com informações de BE NEWS.
Fotografia: Blog do Caminhoneiro, divulgação brasilferroviario.com.br