Ricardo Molitzas, vice-presidente do Conselho Gestor do Instituto Brasil Logística (IBL), diretor-executivo do Sindicato dos Operadores Portuários do Estado de São Paulo (SOPESP), entidade filiada ao Instituto Brasil Logística, e presidente do Conselho do Santos Export, apresentou nesta sexta-feira (29) o painel “Estudo Santos 10+ e a ampliação da capacidade de acesso ao complexo santista”, durante o último dia do Santos Export 2026.
O diretor do SOPESP apresentou um estudo técnico detalhado sobre a ampliação da capacidade de acesso ao complexo santista. O levantamento oferece um diagnóstico aprofundado sobre a capacidade e a demanda do Porto de Santos para a próxima década. O projeto levou cerca de dez meses para ser desenvolvido e resultou em um documento com mais de 400 páginas, focado nos acessos rodoviários e aquaviários do maior ativo logístico do país.
Durante a apresentação, Molitzas explicou que a iniciativa surgiu diante das recorrentes discussões sobre gargalos de infraestrutura e mobilidade na Baixada Santista.
“Durante os dois dias nós tivemos várias falas sobre problemas de infraestrutura e de acesso. Quantos anos se discute isso, quantos anos a gente patina com o desenvolvimento dessa infraestrutura”, afirmou.
Segundo Molitzas, o estudo utilizou projeções para o período entre 2025 e 2035, cruzando dados de capacidade operacional e demanda portuária com as obras públicas já previstas.
“O objetivo foi construir um diagnóstico técnico, baseado em evidências, que subsidie uma discussão coletiva sobre o crescimento da Baixada Santista e do Porto de Santos”, destacou.
Molitzas ressaltou ainda a urgência de envolver os poderes Executivo e Legislativo, além das agências reguladoras, uma vez que projetos de infraestrutura demandam longo período de maturação. Segundo ele, o estudo já foi apresentado a órgãos como o Ministério de Portos e Aeroportos, ANTAQ, ANTT e Tribunal de Contas da União (TCU), onde existe a possibilidade de criação de um painel de referência sobre o tema.
A deputada federal Daniela Reinehr, presidente da Câmara Temática de Portos e Hidrovias da FRENLOGI, acompanhou a apresentação e destacou a importância de uma visão integrada e multimodal para a logística portuária. Para Reinehr, os desafios de acesso ao Porto de Santos refletem um gargalo nacional que exige articulação política e técnica.
“A gente não consegue mais falar em porto isoladamente. Esses projetos vêm muito a calhar e o nosso grande desafio é conseguir encontrar meios para suprir essas demandas e que, de forma multimodal, integre todo o sistema para que tenha maior fluidez”, declarou Daniela Reinehr.
A deputada também mencionou avanços legislativos relacionados ao setor, como o PL 733/25, que propõe que parte dos recursos arrecadados em leilões portuários permaneça nas cidades portuárias para investimentos em acessos e integração urbana.
“Queremos conectar todos os atores para que a gente possa debater com maior profundidade esse assunto e fazer os encaminhamentos necessários”, afirmou.
Também participaram das apresentações técnicas Caio Eduardo Zanin, sócio da Paratech Analytics; Casemiro Tércio Carvalho, sócio da 4Infra; e Luciano Gentile, coordenador de Planejamento de Transporte da TYLin, que detalharam os dados e projeções utilizados no estudo.
O estudo do SOPESP analisou sete grupos de carga e aplicou projeções de demanda sobre as obras já anunciadas, funcionando como um alerta para que o crescimento do Porto de Santos não seja interrompido por gargalos logísticos após a próxima década.
Confira a apresentação, clique aqui.
Texto: Kathia Marçal, assessora de comunicação.
Arte: Janaína Valadares, social media.