Câmara debate interdição da ponte sobre o Rio Jequitinhonha na BR-101/BA

Nesta segunda-feira (5), a Comissão de Viação e Transportes (CVT) da Câmara dos Deputados realizou uma audiência pública para discutir os impactos da interdição da ponte sobre o Rio Jequitinhonha, localizada no km 661 da BR-101, no município de Itapebi (BA). A reunião foi presidida pelo dep. Neto Carletto (Avante/BA), membro da Frenlogi, autor do requerimento que motivou o debate.

A interdição total da ponte teve início em 5 de maio, para a realização de serviços de inspeção e ensaios técnicos que avaliem as condições estruturais da obra. O Diretor de Infraestrutura Rodoviária do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Fábio Pessoa Nunes, explicou que a medida foi necessária por questões de segurança. “Inicialmente, a ponte foi liberada para veículos de passeio e vans, mas caminhoneiros insistiram em cruzar a estrutura, o que representava grande risco. Por isso, optamos pela interdição completa”, afirmou. Segundo ele, a ponte atual não suporta o tráfego pesado característico da BR-101.

Fábio Nunes informou ainda que será construída uma nova ponte com pista dupla, com investimento estimado em R$ 100 milhões. A expectativa é que o contrato para a obra seja assinado até o final de junho. A ponte existente também receberá reforços estruturais para suportar até 19 toneladas, com aporte adicional de R$ 50 milhões. A previsão do governo da Bahia é reabrir a ponte para o tráfego de veículos leves no próximo dia 20 de junho.

Durante a audiência, a advogada Pollyana Costa, representante da Confederação Nacional do Transporte (CNT), destacou os prejuízos enfrentados pelo setor de transportes. Ela apontou os transtornos logísticos causados pelos desvios não pavimentados, o aumento no tempo de deslocamento e os impactos no custo do frete, que acabam repassados ao consumidor. “Temos registro de acidentes e insegurança no trajeto alternativo. É uma infraestrutura que precisa de soluções urgentes”, reforçou.

O prefeito de Itapebi, Isan Botelho, fez críticas à falta de diálogo entre o DNIT e os municípios afetados. “Desde o início do nosso mandato buscamos informações sobre a situação da ponte. É um desrespeito com a população da região”, afirmou. Ele relatou dificuldades enfrentadas com o transporte escolar e de saúde, que exigiram adaptações imediatas.

Também presente à audiência, o chefe de gabinete da Prefeitura de Itagimirim (BA), Daniel Franco, fez um apelo para que haja maior previsibilidade no cronograma das obras, com o objetivo de minimizar os danos causados à população. Ele também criticou a falta de comunicação do DNIT com os municípios. “A respeito da segurança, o motivo da interdição não nos foi divulgado antes. Vejo que é uma situação que precisa ser esclarecida com ampla divulgação. As pessoas não acreditam mais na ponte. Pensam que não podem mais passar de forma alguma”, alertou.

Representando o Ministério dos Transportes, Allan Magalhães Machado reconheceu a necessidade de aprimorar a comunicação institucional com os gestores locais. “A decisão do DNIT foi baseada na preservação de vidas. Sabemos que a situação é atípica, mas estamos empenhados em minimizar os impactos e garantir a continuidade dos serviços. O Ministério dos Transportes está à disposição para prestar apoio aos municípios atingidos”, afirmou.

Durante a audiência, Fábio Nunes pediu desculpas aos prefeitos afetados. Ele se comprometeu a visitar pessoalmente a ponte e o município de Itapebi na próxima semana, a fim de acompanhar de perto os trabalhos e dialogar diretamente com a gestão local. O diretor também anunciou que o DNIT enviará uma nota técnica com informações detalhadas ao gabinete do deputado Neto Carletto, com o objetivo de prestar esclarecimentos e manter o parlamentar atualizado sobre as medidas adotadas. Além disso, apresentou fotos do local e das intervenções realizadas, e comentou sobre os contratos em andamento voltados à melhoria da infraestrutura na região.

A audiência também teve a presença de Márcio Brandão Costa, da Secretaria de Infraestrutura do Estado da Bahia. Ele destacou que a Polícia Rodoviária Estadual atua desde o início da interdição, com policiamento 24 horas e dois postos de apoio para garantir a segurança da população. Já o Superintendente Regional do DNIT na Bahia, Roberto Alcântara de Souza, apresentou detalhes técnicos sobre o processo de interdição e os estudos realizados pelo órgão.

Fotografia: Kayo Magalhães, da Câmara dos Deputados